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Amamentação

Amamentação: primeiros passos. Por Dra. Karla de Oliveira – Médica Pediatra CRM 14398 RQE 8137

Amamentar é uma das principais preocupações que rondam os pensamentos de novas mamães, sejam elas de primeira viagem ou não. Eu consigo alimentar meu filho? Estou fazendo certo? Ele não está com fome? Meu leite é fraco? Todas essas dúvidas são naturais, afinal aquele bebê pequeno e frágil depende de você. É impossível não sentir um frio na barriga ao pensar sobre isso e a pressão em querer ser a melhor mãe do mundo faz com que sua cabeça frite de preocupação. Então, para que esses monstros da imaginação não tomem conta, é importante que você tenha informação. Antes de começar, quero deixar claro que não pretendo esgotar o assunto amamentação em um único post. Até porque isso seria impossível. Aqui, pretendo falar das orientações gerais. Normalmente, o que converso na primeira consulta, aquela entre sete e dez dias de vida do bebê. Então, vamos lá.



A amamentação deve ser exclusiva até seis meses. Isso significa que não há necessidade de oferecer água, chá ou qualquer outro alimento para o seu bebê, só o leite materno. Caso não seja possível amamentá-lo só com o peito, existem fórmulas específicas para o bebê. Mas essas só devem ser orientadas pelo pediatra e utilizadas quando realmente necessárias.
Amamentação a livre demanda. Isso significa que não existe horário definido para amamentar. Você deve oferecer o seio sempre que o bebê desejar. Se ele mamou agora e daqui a meia hora ele quer outra vez, você oferece. Mas eu vou ficar o tempo todo dando de mamar? Sim, é bem provável que no início seja assim. Pense comigo: seu bebê esteve por um longo período dentro do seu útero, aconchegado e seguro. E de repente, ele se vê aqui fora, nesse mundão. Como você acha que ele se sente? Inseguro, com certeza. Lembre que o seio materno alimenta, mas também dá conforto, segurança, amor, sensação de bem-estar. Enfim, seu bebê precisa de você de maneira bem intensa, principalmente nesses dois primeiros meses. Mas passa tão rápido que quando você perceber, já estará com saudades do tempo em que ele só queria saber de você. Então não esqueça, ofereça o peito a livre demanda.
Tempo de mamada: não existe um tempo mínimo até porque bebês reagem de maneira diferente. Alguns bebês esvaziam o peito em poucos minutos, outros são mais preguiçosos e acabam demorando mais. Mas normalmente, a mamada que leva mais de uma hora, acaba sendo mais descanso do que mamada efetiva. Assim como, aquela curtinha que não esvaziou o peito também não irá ajudar. Até você aprender a conhecer seu bebê e saber quando ele está satisfeito, fique de olho no seu seio. Quando ele esvaziar, a tendência é ficar mais molinho como quando não temos bebês. Se ele ainda estiver mais firme, é bem provável que você ainda não tenha esgotado o leite que tem ali. Também preste atenção em quanto tempo a mamada efetiva (em que o seu bebê suga o peito mesmo) está acontecendo. Assim, poderemos entender aos poucos como a dinâmica do seu bebê funciona.
Ordem de mamada nos seios: o leite do início das mamadas é praticamente água e serve mais para matar a sede. O leite posterior, é rico em gordura e responsável pela saciedade e ganho de peso do bebê. Por isso, precisamos sempre esvaziar o peito. Então preste atenção em qual seio seu bebê mamou no último horário. Se ele não esvaziou esse seio na última mamada, ofereça esse mesmo seio na próxima. Assim, você garante que o leite posterior seja sempre aproveitado até a última gota.
Intervalo máximo entre as mamadas: nos primeiros dois meses de vida, peço que o intervalo máximo entre uma mamada e outra não ultrapasse 3 horas. Isso porque bebês muito pequenos não possuem controle energético bem consolidado e podem fazer hipoglicemia com mais facilidade (queda da taxa de açúcar no sangue). Com o passar do tempo, caso o bebê espace as mamadas noturnas naturalmente, ou seja, sozinho, sem a nossa interferência, após os dois meses de vida, podemos dar uma folga para a mamãe sem preocupação.
Alimentação materna: você está amamentando, então deve ter uma alimentação balanceada e completa. Peço que cuide com industrializados e embutidos, por conta de toda química que esses produtos possuem. Mas sem neura, se você está desesperada por um chocolate ou um copo de refrigerante, vá em frente porque ninguém é de ferro. Cuide só para ser em pequena quantidade e de forma esporádica. No mais, frutas, carnes, legumes, verduras, devem ser consumidos. Pode comer feijão, sim. Se der cólica, você irá substituir por um curto período (7 dias) e tentará comer novamente. Restrição eu deixo para os alimentos conhecidamente alergênicos, como alguns frutos do mar (camarão e lagosta por exemplo). Esses, eu peço para segurar até seis meses. Pois depois dessa idade, as mamadas são mais espaçadas por conta da alimentação complementar, permitindo que a gente libere mais a alimentação materna. Peixe é permitido e é uma ótima fonte de proteína. Leite de vaca e derivados são liberados. Não existe indicação de restrição da proteína do leite de vaca na dieta materna a menos que o bebê seja diagnosticado com Alergia a Proteína do Leite de Vaca (APLV). Se esse não for o seu caso, sinta-se a vontade para continuar tomando o seu café com leite (mais leite do que café, é claro, rsrsrsrs). Já a bebida alcoólica nem pensar, nem um golinho mesmo! Essa história de cerveja preta para aumentar o leite é coisa do passado. Beba muita água, pelo menos três litros por dia. Cuide com bebidas energéticas (alguns chás e café), pois podem deixar seu bebê mais agitado. Se você pensar, não tem muito mistério. Você deve comer como todo mundo, de maneira equilibrada e saudável para que você mantenha a energia que precisa para cuidar do seu pequeno tesouro.
Por fim, o que posso dizer é que sei que amamentar cansa e que talvez você pense que não é capaz. Esse início é conturbado mesmo, são muitas mudanças e tanto o que aprender. Mas logo tudo se ajeita, logo você se adapta, logo você se descobre e logo você compreende a grandeza do que está fazendo.